sábado, 27 de fevereiro de 2010

HORTA COMUNITÁRIA EM PRADOS

O Projeto: “Adquirindo o Alimento com o Próprio Trabalho”, resultado de uma parceria entre a Universidade Federal de São João del Rei-UFSJ, a Prefeitura Municipal de Prados, a Secretaria de Assistência Social de Prados e a Cooperativa Caminhos da Estrada Real de Prados-Coopcer, teve início no dia 26 de fevereiro do corrente ano, data comemorativa dos quatro meses de existência do CRAS – Pinheiro Chagas. Como parte da programação alusiva a esta data, foi programada uma palestra com o professor Roberto Lira, da UFSJ, quando foram abordadas as reais possibilidades de melhoria do bem viver comunitário, a partir do esforço produtivo coletivo dos moradores da comunidade.

Após a exposição do professor Lira, os moradores presentes fizeram inúmeras perguntas sobre a estrutura funcional da horta comunitária, demonstrando grande interesse e confiança no êxito do empreendimento. Na oportunidade, os moradores e moradoras assumiram coletivamente o compromisso de consolidar, no espaço do CRAS, uma horta comunitária, assumindo, consequentemente, o papel de executores de sua própria história.

Como parte da agenda cultural do evento, dois grupos de artistas mirins da comunidade local fizeram apresentações de dança, encantando a todos os presentes.

No dia seguinte, pela manhã, com a participação de um grande número de moradores da comunidade, teve inicio o processo de capina do terreno, quando, uma vez mais, constatou-se a força do coletivo, visto que uma área significativa do terreno começou a ser preparado para o plantio.

Para todos que, a partir da horta comunitária, passaram a acreditar na proposição do trabalho coletivo, solidário, ficou a certeza de que, quando parte-se de uma prática autogestionária, onde não há a separação entre aqueles que pensam, daqueles que fazem, onde o trabalho para outrem, transforma-se no trabalho com outrem, redescobrem-se as características lúdicas e prazerosas do trabalho, o qual passa a ser instrumento de empoderamento do indivíduo e do empreendimento.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

ECONOMIA PARA A VIDA E NÃO PARA A MORTE

Ao ler no endereço www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod o artigo intitulado Economia para a vida e não para a morte de Frei Gilvander L. Moreira e Irmã Maria do Rosário O. Carneiro, referente ao tema da Campanha da Fraternidade 2010,faço as considerações abaixo, que gostaria de compartilhar com os leitores desse blog.


Vejam só que coincidência. Há alguns dias, eu elaborei uma atividade para um curso da Plataforma Moodle da UFSJ - Universidade Federal de São João del-Rei denominando-a de Uso do Paradigma da Economia Solidária Como Instrumento de Preservação da Vida. E, embutida nessa proposta, está a qualificação de um grande número de pessoas para raciocinar, se organizar e produzir coletivamente, com base nos princípios da Economia Solidária, contribuindo para a difusão e expansão do movimento.

Como há algumas identidades entre o artigo Economia para a Vida e não para a Morte, e o curso (incluindo o material) por mim proposto, passo, em seguida, a fazer algumas considerações ao texto do Frei Gilvander Moreira e da Irmã Maria do Rosário que, de certa forma serão abordados no curso.

Os autores do texto em questão foram precisos em apontar a atividade laboral capitalista como algo destituída de prazer, repetitivo e alienador, além de gerar um rendimento diminuto, de pequeno efeito, no que diz respeito à melhoria do bem viver do trabalhador. Isso explica porque os autores classificam tal atividade como uma escravidão dissimulada.

A supervalorização continuada do lucro e da acumulação de capital, que caracterizam a chamada “lucronomia”, capitaneada pelas empresas transnacionais e grandes capitais financeiros, denunciada pela Campanha da Fraternidade da CNBB, ilustra, de forma inconteste, o tratamento desigual recebido pelos diferentes agentes econômicos. Assim, enquanto os camelôs sofrem a ação incansável dos truculentos e insensíveis fiscais, que recolhem aos depósitos das prefeituras as mercadorias, cujas vendas possibilitariam a sua sobrevivência e de seus familiares, os agentes financeiros que praticam gestões fraudulentas de seus negócios, são prontamente socorridos pelos fartos recursos públicos, ou seja, do povo. A guisa de lembrança, convém recordar do famigerado Programa de Estímulo á Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional – PROER, implantado no governo de Fernando Henrique Cardoso, que entre 1995 a 2001, destinou cerca de R# 112 bilhões ao sistema financeiro, socializando, dessa forma, a dívida dos bancos Econômico, Excel, Marka e FonteCidam.

A busca individual de solução caracterizada pela opção da economia informal, dá provas cabais da necessidade de agir coletivamente. Individualmente, os trabalhadores ambulantes são fracos, por esse motivo, urge a organização dos trabalhadores em empreendimentos coletivos. Isso posto, Moreira e Carneiro demonstrando que muitos trabalhadores já perceberam as conveniências da força do coletivo afirmam que “... a multidão dos que acreditam na Economia Solidária cresce dia a dia”.

A crítica feita a economia capitalista neoliberal, que centraliza os ganhos nas elites em detrimento da pobreza, seja ela relativa, absoluta ou extrema, comprova a necessidade de organização e reivindicação dos excluídos pela distribuição do bolo econômico, haja vista que a economia brasileira faz parte do ranking das dez maiores economias industriais do planeta e, contraditoriamente, é apontada como o lócus de uma das maiores concentrações de riqueza do mundo..

Nunca é demais citar o filósofo e frade dominicano italiano Giordano Bruno (1548 - 17 de fevereiro de 1600) que, diante do tribunal que julgava o teor de suas teses, afirmou que errara apenas, ao agir ingenuamente, pedindo aos detentores do poder que o reformasse. Deixando, portanto, implícito, que poder não se pede, se conquista com consciência, organização e ação política.

Por fim, a proposição do Fórum Brasileiro de Economia Solidária – FBES de colher assinaturas para elaborar um Projeto de Lei de Iniciativa Popular objetivando a criação de um Programa Nacional de Economia Solidária aponta para uma prática necessária à expansão do movimento, qual seja: o comprometimento do poder público, através da implementação de políticas públicas de economia solidária para o fortalecimento da Economia para a Vida, injetando recursos na afirmação das atividades econômicas que priorizam o bem viver dos cidadãos e cidadãs, contrapondo-se a excludente política neoliberal que apenas prioriza a geração do lucro e ampliação da acumulação do capital, até porque, parafraseando Cristo, “Não é possível servir a Deus e ao capital”. (Mt 6, 24)...

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

COMPRA A CRÉDITO: DO SONHO AO PESADELO

Em um passado não muito distante, comprar a crédito não era tarefa fácil. Isto porque diante da perspectiva de inadimplência, o comércio exigia, com muita freqüência, além de inúmeros documentos, a presença de um avalista. E convenhamos, era quase sempre, constrangedor, solicitar, ou ser solicitado, assumir tal compromisso, diante das conseqüências possíveis. Por outro lado, ter acesso a um cartão de crédito ou cheque especial, pressupunha uma série de condições, a começar pela magnitude do rendimento comprovado, o que restringia a oferta de crédito para poucos.

Na atualidade, constata-se uma situação inversa. Bancos, financeiras e outras instituições creditícias, conhecedoras da quase inexistente educação financeira da população, descobriram as vantagens da oferta de crédito fácil e farto, disponibilizado, sem avalista e, muitas vezes, até mesmo sem a solicitação do potencial cliente, o qual é convidado, ou induzido, a contrair e utilizar recursos de terceiros como se seu fosse, incorrendo em um erro que costuma ser fatal para as finanças pessoais.

Para evitar incorrer em uma situação de descontrole orçamentário, torna-se conveniente ter acesso a alguma literatura, onde são apresentados e discutidos conceitos básicos de educação financeira, assim como também definir as estratégias e instrumentos relacionados às suas ações, enquanto consumidores.

Algumas recomendações para não se tornar presa fácil das armadilhas financeiras relacionadas ao crédito:

1- Não confunda crédito com dinheiro próprio. Portanto, use-o com parcimônia, e apenas em casos de extrema necessidade;

2- Organize-se. Não esqueça as datas de vencimento de suas contas, pois, neste caso, você estará tendo despesas adicionais (juros e multas) por simples falta de planejamento;

3- Cartão de crédito - Não esqueça que sua taxa de juros é a maior do mercado financeiro nacional;

4- Cartão de crédito - Todo cuidado é pouco com as “facilidades” que o banco oferece para você pagar a dívida. Fuja do pagamento mínimo;

5- Não gaste mais do que você ganha. Seja uma pessoa superavitária;

6- Se nenhum crédito limita suas decisões, crédito fácil demais atrapalha. Via de regra, induz a um endividamento excessivo;

7- Não esqueça de conferir seu extrato bancário. Não é incomum o banco “errar” e fazer cobranças indevidas;

8- Mesmo quem tem renda elevada pode vivenciar situações desagradáveis se esquecer que tem uma restrição orçamentária, qual seja, não se deve gastar mais do que recebe.

Isso posto, é bom não esquecer que embora o cartão de crédito não seja dinheiro, exerce sua função e, o que é mais importante, é pago com dinheiro.



quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

EDUCAÇÃO FINANCEIRA EM PERGUNTAS E RESPOSTAS

O propósito desta coluna é apresentar semanalmente um artigo de Educação Financeira, discutindo conceitos relacionados às finanças pessoais, proporcionando, ao longo do tempo, uma base teórica que torne o cidadão mais capacitado para administrar seu orçamento familiar.

TEMA 1: CRÉDITO CONSOLIDADO

É fornecido por empresas financeiras para as pessoas que se encontram em elevado grau de endividamento.

O que é, como funciona e quais as vantagens e desvantagens de seu uso?

O que é crédito consolidado?

R-É a reunião de diversas dívidas em uma só. Isso feito transformará de imediato, uma situação de vários credores em um único, assim como também a centralização de todas as datas de pagamento em uma só. Em resumo, ao fazer um crédito consolidado, o devedor estará contraindo uma grande dívida para quitar diversas dívidas menores.

Como a principal causa geradora de um crédito consolidado é possibilitar ao devedor sair de um contexto de elevado comprometimento mensal de seus rendimentos, o novo débito contraído terá, necessariamente, um prazo mais longo de quitação, o que significará uma diminuição do valor a ser pago mensalmente.

Importa salientar que a taxa de juros tem um comportamento diretamente proporcional ao prazo de pagamento, qual seja, a um prazo maior, corresponderá uma maior taxa de juros, o que, consequentemente, implicará em um maior volume da dívida contraída.

Quais as vantagens de um crédito consolidado?

R.a) Reduz substancialmente o número de credores;

b) Diminui o comprometimento do rendimento mensal, com menores prestações;

c) Centraliza a data de pagamento, possibilitando um gerenciamento mais eficaz da dívida.

Quais as desvantagens de um crédito consolidado?

R.a) Aumenta o volume total da dívida em conseqüência de uma maior taxa de juros;

b) Como o elevado grau de endividamento de parcela significativa da população decorre, quase sempre, da inexistência de uma educação financeira, o alívio inicial provocado pela dilatação do prazo de pagamento, sem os esclarecimentos devidos sobre a origem do descontrole orçamentário, poderá induzir a novos endividamentos. Isso posto, as saídas de uma situação de caos nas finanças pessoais e familiares tornar-se-ão cada vez mais difíceis, criando uma avalanche de descontrole de resultados catastróficos para as famílias, enriquecendo, contudo, os financistas usurários.

c) Por fim, talvez a mais perversa das conseqüências da adoção de um crédito consolidado, dar-se-á a partir da exigência da garantia solicitada pelos credores.

Neste caso, como contrapartida do crédito, utiliza-se um bem imobiliário (terreno, casa ou apartamento) como hipoteca. Na hipótese, infelizmente não muito remota de inadimplência, ocorrerá à cessão de um patrimônio, via de regra, conseguido a duras penas, ao longo da vida.

Concluindo tais considerações acerca do crédito consolidado, torna-se oportuno alertar inicialmente para a necessidade de compatibilizar os volumes de ganhos e gastos, evitando-se a necessidade de endividamento.

Na hipótese da necessidade real de endividamento, sugere-se evitar ultrapassar o grau de endividamento recomendável - cerca de 30% do salário líquido com dívidas - (prestações fixas).

Finalmente, só na hipótese de um efetivo descontrole das finanças pessoais, aí sim, o crédito consolidado deve ser sugerido como alternativa, aliado, contudo, as outras medidas saneadoras das finanças pessoais. Nunca sozinho.

sábado, 2 de janeiro de 2010

ARROGÂNCIA NA BAND

O âncora do Jornal da Band, Boris Kasoy, demonstrou toda sua arrogância, diga-se de passagem, que é uma conduta típica dos imbecis, ao fazer um comentário desairoso sobre uma matéria levada ao ar no jornal televisivo, por ele mesmo apresentado, no dia primeiro de janeiro próximo passado.

A matéria era uma mensagem de dois varredores de rua, desejando aos brasileiros um Feliz Ano Novo. Pensando que os microfones estivessem desligados, comentou: “Que merda: dois lixeiros desejando felicidades do alto de suas vassouras. O mais baixo na escala do trabalho”.

Como o áudio estava sendo transmitido, o vídeo caiu na internet, sendo imediatamente repudiado pelos internautas.

Diante do fato, o jornalista afirmou que errou e que iria se retratar com o público.

E daí, fica só nisso? É simples assim? Então ele usa a televisão, com condições de chegar a todos os lares do país, achincalha toda uma categoria profissional que, diga-se de passagem, é tão respeitável quanto a de jornalista, destilando todo o fel de seu preconceito venenoso e diz apenas desculpe?

É importante não esquecer que a televisão não determina, mas tem um grande poder de influência nas condutas pessoais. Portanto, quem garante que amanhã, outras pessoas não acharão também normal destratar alguns ofícios manuais, por exemplo, e depois pedirem desculpas? Afinal não é com tais comentários que se constrói uma sociedade justa, equânime e solidária.

Isso posto, estou aqui propondo e iniciando uma campanha de oposição ao Jornal da Band, com o boicote dos habituais telespectadores desse programa, desligando ou trocando de canal seus televisores pelo período de um mês. Como os programas existem em função da audiência, que por sua vez representa lucro (e esta linguagem eles entendem), espera-se, em nome do interesse pecuniário, ou da ética profissional que, a partir desse fato, haja uma maior preocupação por parte da produção dos programas televisivos em respeitar a pessoa humana, seja ela médico, professor ou varredor de rua.

Quem concorda, manifeste-se.

quinta-feira, 5 de março de 2009

"DE PEQUENINO É QUE SE TORCE O PEPINO"

Ao se buscar definir a idade adequada para a introdução da educação financeira junto às crianças, há um adágio popular bastante oportuno. Qual seja: “De pequenino é que se torce o pepino”.

O intuito, portanto, desse artigo, é ensinar, o quanto antes, conceitos e condutas que habilitem as crianças a entender o dinheiro como solução, e não como problema em suas vidas.

Isto posto, listo em seguida, alguns indicativos de condutas que considero adequados.

1- Quanto mais cedo aprender, mais consistente será a prática

Muitas crianças sabem que há muito dinheiro nos caixas eletrônicos, por exemplo. Isto decorre da percepção de que as pessoas para lá se dirigem, introduzem seus cartões e, como num passe de mágica, surgem as notas.

O que muita criança não sabe, contudo, é que o dinheiro retirado, quase sempre é originado na labuta diária de seus entes queridos. Há um provérbio adequado para explicar isto: “Dinheiro não nasce em árvore”. A origem é outra. Seu nome é trabalho.

Explicar a importância do trabalho na estrutura familiar, quer seja externamente (na obtenção de rendimentos), quer seja internamente (na execução das tarefas domésticas), torna-se oportuno para solidificar a consciência de que todos os membros da família têm parcela significativa de compromisso na boa gestão da casa, além, é claro, do orçamento familiar. Assim, da mesma forma que o pai e a mãe têm funções fora e dentro do lar, os filhos também as terão. Fazer pequenas compras no mercadinho, levar uma encomenda no Correio, comprar pão na padaria ou fazer a arrumação de seu quarto, por exemplo, são tarefas que representarão a contribuição dos filhos para o adequado funcionamento da casa. Fazer demais pelos filhos, geralmente, estimula maus hábitos.
Pelo exposto, as atividades desenvolvidas pelas crianças devem ser vistas como um compromisso, não um favor. Deve-se, portanto, desde a mais tenra idade, atentar para as vantagens do compromisso coletivo no exercício do trabalho.

2- O uso adequado do dinheiro, pressupõe a consciência exata de seu valor

Todos convivemos com restrição orçamentária[1]. Logo cedo, a criança também deverá saber que não terá tudo aquilo que deseja. Ideal será se obtiver tudo o que necessita.

Além do aspecto da escassez do dinheiro, a criança precisa aprender que o consumo exacerbado de produtos contribuirá para a escassez dos recursos naturais, assim como também para o problema da super produção do lixo, um problema pertinente tanto para as megalópoles, como para as cidades de pequeno porte[2]. Ainda sobre o consumo em larga escala, típico das sociedades de consumo[3], importa informar aos “pirralhos”que toda produção envolve o dispêndio de energia, e que, sua geração, via de regra, implica em forte impacto ambiental, desequilibrando os ecossistemas.



3- Aprende-se a fazer, fazendo

Isto explica porque quanto mais cedo a criança tiver autonomia na gestão de sua renda, mais precocemente saberá que precisa aprender a programar seus gastos de forma compatível à durabilidade de sua renda.

Como o aprendizado da programação dos gastos não é de imediata assimilação, uma alternativa recomendável é, inicialmente, transformar a mesada em semanada, visto que compatibilizar despesas e receitas semanais tornar-se-á menos penoso ao aprendiz.

4- Não confundir meios com fins

Nunca é demais alertar que o dinheiro deve sempre ser visto como solução, nunca como problema.
Isto posto, quando bem administrado, deverá funcionar como instrumento que possibilite o acesso a consecução de metas e objetivos, voltados às situações prazerosas. Para isto o dinheiro não deve ser entendido como fim. Até porque, quem estabelece a obtenção do dinheiro como meta, via de regra, torna-se escravo do vil metal, abstendo-se, consequentemente, do consumo de produtos, serviços e atividades lúdicas.

No mais, é curti-las como instrumentos que são da perpetuação da vida.


[1]Aqui entendido como a disponibilidade limitada de recursos para atender necessidades múltiplas, variadas e crescentes.
[2]Segundo a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), um em cada três aterros de cidades com mais de 100 mil habitantes de São Paulo está com sua vida útil esgotada.
[3]A característica marcante das sociedades de consumo é a existência da produção e consumo ilimitado de bens duráveis, sobretudo supérfluos.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

VAMOS IMPRIMIR DINHEIRO?

O imaginário popular está cheio de provérbios citando o dinheiro. Eis alguns:

1) “Dinheiro não traz felicidade, manda buscar”.
2) “Tempo é dinheiro”.
3) “Dinheiro e mulher bonita, governam o mundo”. E muitos outros do gênero.

Ora! Se dinheiro é tudo isso, e, como o vil metal está raro para muita gente, só me resta fazer um convite ao amigo leitor: Vamos fazer dinheiro?

Antes, porém, seria interessante procurar entender por que os ricos estão cada vez mais ricos e, inversamente, por que os pobres estão cada vez mais pobres?

Para entender essa visível contradição torna-se oportuno observar que, cerca de 95% de todo o numerário em circulação na economia mundial, encontra-se concentrado nas atividades financeiras especulativas.[1]. Isto explica porque tantas economias debilitadas são privadas de recursos para realizar investimentos produtivos, com repercussões perversas na qualidade de vida de suas populações.

Uma outra questão relacionada à concentração mundial da renda, decorre do fato do dinheiro ganhar vida no capitalismo. Isto explica porque, dada as ações protagonizadas pelas inversões financeiras, o dinheiro gera mais dinheiro, através dos juros, elevando assim a riqueza de seus possuidores.

Importa observar que, ao chamar o público leitor para imprimir dinheiro, na verdade eu falo do chamado dinheiro social, que, ao contrário do meio circulante oficial, não gera exclusão, mas seu inverso, a inclusão econômico-social.

Os indecisos que ainda não definiram se vão ou não aceitar o convite feito acima, muito provavelmente estarão se perguntando: - Mas então o que são e como funcionam as moedas sociais?

Vamos por parte. Moedas sociais são instrumentos emitidos e administrados por seus usuários, membros associados de coletivos, que se pautam por princípios de cooperação, solidariedade e justiça social, atuando de forma complementar ao meio circulante oficial. Portanto, seu uso faz economizar a utilização das moedas correntes, ampliando, por conseguinte, a capacidade de compra do consumidor.

Algo salta à vista de imediato: as moedas sociais favorecem a produção e não a especulação. Isto porque tais moedas não geram o pagamento de juros[2], não induzindo, por sua vez à sua acumulação. Seu valor não é intrínseco, mas está em estimular os fluxos de produção, circulação e consumo de produtos, serviços e saberes nas economias locais.

As moedas sociais são freqüentes nos clubes de troca, estimulando e incluindo, no processo produtivo, elevado contingente de trabalhadores não absorvidos pela economia formal, expulsos pela modernização produtiva (os não tão jovens) ou, impedidos de entrar, por falta de experiência (aqueles mais jovens).

Nas comunidades que avançaram em seu grau de organização, o uso da moeda social tem seu raio de ação ampliado, promovendo ações de forte viés emancipatório, com a criação dos chamados bancos comunitários[3]. Dentre estes, destacam-se, dois exemplos exitosos: o Banco da Aldeia, em Bangladesh, na Ásia e, no Brasil, o Banco Palmas, na periferia de Fortaleza-Ceará.

Importa ainda salientar que o uso da moeda social tem grande caráter pedagógico, tornando explicitas as relações que permeiam o uso da moeda oficial e seu papel no fortalecimento da economia capitalista, excluindo, por via da conseqüência, as condições de promoção do bem viver coletivo.

O uso da moeda social, por estar relacionado à demanda na economia local, fortalece a geração de trabalho e renda, permitindo, a um maior número de pessoas, produzir e consumir de forma consciente, criando condições de empoderamento[4] de pessoas e comunidades.
Portanto, a criação de moeda social é conseqüência da conscientização de que, as verdadeiras mudanças sociais não acontecem ao acaso e, muito menos, fruto da ação individual de algum “iluminado”, porém, ao contrário, através de práticas coletivas com foco no ser humano, e que possibilitem o bem viver coletivo.

Depois dessas considerações é oportuno voltar ao começo da conversa: Vamos imprimir dinheiro?




[1] Disponível em http://www.geranegócio.com.br/html/geral/microcrédito/trocaed.html, acessado em 23 de fevereiro de 2009.
[2] Há uma corrente de pensadores, tendo à frente o austro-alemão Sílvio Gesell (1862-1930), que propõe que a moeda social deva gerar juros negativos, estimulando, dessa forma, o exercício da função maior da moeda, qual seja a intermediação das trocas.
[3] Existem hoje no Brasil, cerca de 35 bancos sociais, segundo dados recentes da Secretaria Nacional de Economia Solidária – SENAES.
[4] Entendido como as condições nas quais as pessoas aprendem que o poder está com elas e com seu coletivo.